Foto: PRF

O Ceará tem o maior número de pontos críticos de exploração sexual de crianças e adolescentes em rodovias federais. São 81 locais utilizados para esse tipo de crime em beira de estradas federais no estado. O número de crimes de exploração sexual infantil nas BRs que cruzam o Ceará cresceu de 14 em 2013 para 181 casos em 2017.

Os números fazem parte do Mapear, estudo realizado pela Polícia Rodoviária Federal em parceria com a Childhood Brasil. Depois do Ceará, os estados com maior número de pontos críticos são Goiás (55), Pará (52), Minas Gerais (48) e Paraná (29).

Uma das principais rodovias brasileira, a BR-116 é a que concentra o maior número de pontos de exploração sexual, com 114. O quilômetro 1 da via fica em Fortaleza e ela corta todo o Ceará. A rodovia praticamente atravessa o país e termina na cidade de Jaguarão, no Rio Grande do Sul, na fronteira com o Uruguai. Outras rodovias com grande número de pontos críticos são a BR-101 (56), BR-153 (37) e BR-364 (26).

Resgate de crianças

"Os dados trazem luz ao risco da exploração sexual de crianças e adolescentes e já contribuiu com o resgate de milhares de meninas e meninos", ressalta Igor de Carvalho Ramos, presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da PRF.

A Polícia Rodoviária já retirou 4.749 crianças da situação de exploração sexual em pontos em beiras de estradas em todo o Brasil, desde 2005. No Ceará, esses pontos se concentram 27 cidades, sendo que em sete municípios há cinco pontos ou mais onde as crianças e adolescentes sofrem crimes sexuais.

Considerando os dados por região, o estudo mostra que houve significativo aumento na região Norte (de 160 pontos para 404), Nordeste (de 475 pontos para 644) e Sul (de 448 pontos para 575); uma estabilização do número de pontos no Sudeste, e leve redução na região Centro-Oeste.

Crimes em postos de combustível

Entre os pontos mapeados é possível verificar que determinados fatores estão presentes na maioria dos pontos elencados pelos policiais rodoviários federais. Os critérios que se destacam no levantamento in loco são a prostituição de adultos, a presença de caminhoneiros, o consumo de bebidas alcoólicas, a aglomeração/estacionamento de veículos, a existência ou não de iluminação e a falta de vigilância.

Não por acaso, os locais identificados como os mais vulneráveis estão os postos de combustíveis – na absoluta liderança, e em seguida aparecem bares, casas de shows, pontos de alimentação e de hospedagem.

“Notamos que com a maior identificação e atuação nos pontos vulneráveis, aliando a repressão com campanhas preventivas e educativas incentivando o uso do Disque 100, houve a ‘interiorização’ dos ambientes suscetíveis à exploração que agora estão se instalando em rodovias estaduais e isso traz uma urgência para a transferência da metodologia do Mapear às Polícias Rodoviárias dos estados mais críticos”, comenta Eva Dengler, gerente de Programas e Relações Empresariais da Childhood Brasil.

Estados

O estudo mostra, ainda, que dos 10 estados com mais pontos críticos, 80% aparecem no ranking das 10 unidades federativas com maior número de denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes. Vale ressaltar que violência sexual contra crianças e adolescentes abrange abuso sexual, estupro, exploração sexual, exploração sexual no turismo, grooming, pornografia infantil, sexting, entre outros.

Verificando especificamente a exploração sexual de crianças e adolescentes, mais uma vez dos 10 estados com mais pontos críticos, 80% aparecem entre os 10 com maior número de denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes. Aglutinando os índices, nove estados aparecem nas duas análises: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraná, Pernambuco e Goiás.

Fonte: G1 CE

 
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