Contra tudo e todos, o PT lança hoje a pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República. O ato será realizado na cidade de Contagem, em Minas Gerais. O lançamento, porém, não contará com a presença do protagonista do evento, que está preso desde o dia 7 de abril em uma cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Lula foi condenado há doze anos e um mês pelo desenrolar das investigações envolvendo um apartamento no triplex de Guarujá. Militantes petistas alimentam o discurso da candidatura do ex-presidente no parlamento, nas ruas, na imprensa e nas redes sociais. Embora haja poucas chances de êxito no registro da candidatura, por questões judiciais, o PT garante que confirmará o nome de Lula entre os presidenciáveis. Na última terça-feira, 5, a defesa do ex-presidente entrou com novo recurso no Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar, por mais uma oportunidade, libertar o pré-candidato enquanto o processo continua sendo julgado nas demais instâncias. O principal argumento utilizado pela defesa é o fato de ele ser pré-candidato. A defesa e a militância defendem que a prisão de Lula acaba impedindo que ele exerça os direitos políticos, como participar de comícios, por exemplo. O evento de lançamento da pré-candidatura, conforme garantem petistas, deverá ser mais um palanque para “denunciar o golpe” e garantir que o PT terá candidatura própria. 

O deputado federal Afonso Florence (PT-BA) disse que o ato, que terá lideranças do País inteiro, será sucedido de uma reunião da Executiva para se “debruçar nos detalhes” da campanha. O partido avalia eleger um nome que represente o ex-presidente nos eventos enquanto a defesa juridicamente tenta a libertação. 

O deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) voltou a reforçar que não há plano B, que a candidatura de Lula está reforçada dentro do PT, e que não se trata apenas de um discurso para manter o percentual de apoio popular em torno do nome do ex-presidente. 

Um dos principais defensores da candidatura nacionalmente, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ), através das redes sociais, tenta manter acesa a chama da esperança na militância sobre condições jurídicas que devem garantir a candidatura do ex-mandatário. 

“Quando é o registro da candidatura? É 15 de agosto. Nós vamos registrar o Lula. Eu sei que tem muita gente que se pergunta se pode. Claro que pode. Nós consultamos mais de cem advogados eleitorais. Se você tem dúvida, converse com algum”, disse ainda no mês de maio em vídeo no Facebook. O discurso tem se reforçado com a manutenção da liderança de Lula nas pesquisas de intenção de voto.

A estratégia adotada pelo PT é entrar com a inscrição da candidatura e seguir, através dos prazos eleitorais, ganhando tempo com os diversos recursos. Pela legislação, a candidatura se mantém com todas as garantias mesmo sub judice.

“Primeiro é o registro, depois é que eles vão tentar o processo de impugnação. Tem cinco dias para apresentar a impugnação, e tem direito de defesa. O fato é que o Lula começa candidato e começa o programa eleitoral de televisão. Imagina o susto das pessoas vendo o Lula lá. E quem tem força no meio do povo é o Lula. Você pode dizer que no meio de setembro eles podem impugnar a candidatura do Lula. Pode. Só que aí nós podemos recorrer ao Supremo Tribunal Federal e ele ser candidato até o final”, calcula o parlamentar.

A candidatura ganha força entre os petistas dois dias depois de Lula declarar, por meio de frei Betto, que não há “acordo” com Ciro Gomes para a disputa de outubro.

LUTA

“É uma situação possível, é viável lutar pela candidatura. Há condições jurídicas para que ele consiga êxito”.

ISABEL MOTA

Especialista em direito eleitoral


LEI

“A Lei da Ficha Limpa é uma lei que começou da iniciativa popular, mas está sendo aperfeiçoada aos poucos. Não é uma lei feita por técnicos e possui interpretações”.

LEONARDO VASCONCELO

Especialista em direito eleitoral

Fonte: O Povo

 
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