Gil Chagas reside em Aurora desde os três meses de vida. Nascido em Juazeiro do Norte, ele foi trazido pelos seus pais para a Terra do Menino Deus. (Foto: Facebook Gil Chagas)

Por Henrique Macêdo / Com informações de Mardonio Barros

A reportagem da Rádio Educativa Aurora do Povo FM e do Portal Aurora Notícias entrevistou o artesão e luthier Gil Chagas. Nascido em Juazeiro do Norte, atualmente ele reside no bairro Araçá, em Aurora, aonde chegou aos três meses de vida trazido pelos seus pais.
A oficina do artista fica localizada no bairro Araçá.
(Foto: Mardonio Barros)

Gil Chagas tem 45 anos de profissão. O artista começou seus trabalhos como artesão observando o seu pai e o seu avô atuarem como carpinteiros. Ele passava mais tempo observando as atividades do seu avô, e a partir daí sentiu vontade de trabalhar com móveis coloniais, que são bem mais detalhados. 

A fé em Mártir Francisca fez com que o artesão se tornasse escultor, pois o mesmo já esculpia em madeira pés, braços e cabeças para os devotos da santa popular de Aurora, e só faltava montar o quebra-cabeça das esculturas. Após conseguira fazer a sua primeira estátua, se tornou devoto e atribuiu o feito a santa. 

O amor pela profissão fazia com que o artista plástico faltasse aulas na escola para fazer suas obras. Gil Chagas esculpia escondido de sua mãe e guardava as suas estátuas de madeira em um local próximo a um açude. Certo dia o manancial sangrou e suas esculturas foram levadas pelas águas.  

Um senhor conhecido como Pedro 100, que gostava muito de pescar e morava vizinho à sua residência foi até o açude onde as esculturas ficavam guardadas, e ao lançar a sua rede no açude pescou além de peixes as estatuárias do escultor. Posteriormente o pescador entregou as esculturas aos pais de Gil Chagas que ao descobrirem o motivo da ausência nas aulas disseram que ele poderia esculpir, mas desde que não faltasse na escola. 

O artista aurorense é conhecido nacionalmente, tendo sido destaque nacional em jornais, revistas e programas de TV por várias ocasiões. Já deu palestras em universidades e foi fonte de pesquisas para a Fundação Casa Grande e estudantes universitários.

As dificuldades foram inúmeras para chegar aonde ele chegou. A principal barreira foi à falta de apoio.

“A elite de Aurora já tinha me visto como artista e não custava nada os donos do poder de Aurora investir na carreira de Gil Chagas, mas não investiram. Eu sou filho natural de Juazeiro do Norte, e moro em Aurora a sessenta anos e um mês, eu só passei três meses em Juazeiro do Norte, com três meses de vida meus pais vieram pra cá e nunca me reconheceram como cidadão aurorense ”, frisou.
Rabecas produzidas por Gil Chagas
(Foto: Mardonio Barros)

De acordo com Gil Chagas, em Aurora existe uma marcação política com o artista, pois se qualquer profissional do ramo votar naquele partido que está na gestão do município ele será reconhecido, caso o contrário será detestado.

Gil Chagas participou do Festival de Rabecas da Tradição, no Cine Teatro São Luiz, em Fortaleza, realizado no último dia 22 de julho, onde representou o Ceará como luthier, conquistando o primeiro lugar.

Se eu tivesse o apoio da Secretaria de Cultura de Aurora pra mim seria fácil participar desses eventos, mas eu não tenho apoio da secretaria,” pontuou.

Ele destacou que o apoio dado por Gilmar de Carvalho foi fundamental para a sua carreira como luthier.

Gilmar de Carvalho foi fundamental na minha carreira para a luthieria, ele é um amigo bem íntimo meu, já o conheço há bastante tempo,” relatou.  


Além do talento para a música e para as esculturas, Gil Chagas está desenvolvendo um trabalho que representa as funções da matemática, física e ciência.  O projeto esta sendo elaborado para exposição, sendo que inicialmente a proposta é exibi-lo na Fundação Casa Grande, no município de Nova Olinda, ou na Unifor (Universidade de Fortaleza).







 
Top