Pelo menos 23 policiais militares participaram, direta ou indiretamente, da ocorrência que terminou com um competidor de sinuca da Paraíba morto após o carro em que ele estava com quatro amigos ser confundido o de criminosos na cidade de Campos Sales, interior do Ceará. Conforme o delegado Bruno Fonseca, responsável pelas investigações, oito PMs atiraram contra o veículo da vítima

O competidor José Messias Guedes Oliveira, 35 anos, foi atingido na região do abdômen e morreu na madrugada de terça-feira (31). Ele estava indo para um campeonato de sinuca em São Luís, no Maranhão, quando a PM perseguiu o carro por achar que era de bandidos e atirou contra o grupo. O corpo de Messias foi enterrado nesta quinta-feira (2), em Patos, na Paraíba.

As informações preliminares indicavam a participação de 17 agentes na ocorrência, no entanto, o delegado teve acesso ao relatório da Polícia Militar e contatou que 23 PMs participaram de alguma forma da ocorrência e oito efetuaram disparos.

Os policiais que participaram da ocorrência foram ouvidos na delegacia ao longo da semana. As armas de fogo utilizadas pelos agentes foram periciadas e devolvidas para os agentes de segurança.

O delegado informou que está realizando novas apurações sobre o caso, mas os detalhes não podem ser repassados para não atrapalhar o curso da investigação.

Perícia no veículo

O carro do jogador de sinuca, um Toyota Corolla, foi levado para a Perícia Forense na Cidade do Crato. O veículo será periciado para identificar quantos tiros foram disparados e quantos atingiram o automóvel.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD) informou que determinou a instauração de um procedimento disciplinar para devida apurar o caso na esfera administrativa.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública que equipes da Polícia Militar foram acionadas para verificar uma denúncia anônima de "homens em atividades suspeitas em um carro". Segundo a pasta, intermitentes e sinais sonoros do carro policial foram ligados, mas o automóvel dos competidores não reduziu a velocidade nem parou. Quando o veículo acelerou em direção ao bloqueio, os PMs atiraram, conforme a nota.

Amigos e família lamentam morte

O motorista do veículo alvo dos tiros, Gutiely Pereira de Araújo, relatou que a morte do amigo foi resultado de uma ação sem sentido da polícia. "O meu amigo foi morto pela falta de preparo dos policiais. Eu não sou militar, mas quando se faz uma abordagem e a pessoa não para, eu acho que o correto é atirar para cima, ou no máximo no pneu. Agora você disparar de frente para o carro, sem nem saber quem está dentro, já querendo matar e tudo isso por causa da denúncia de um civil", contou Gutiely.

O pai do motorista acredita que os policiais adotaram um procedimento errado e destaca que os outros ocupantes do carro não morreram “por um milagre”. Segundo ele, o filho não teria percebido que se tratavam de policiais e acelerou até uma cidade próxima. “A polícia fez um bloqueio para averiguar. Infelizmente não deu tempo fazer a barreira e os meninos se depararam com a viatura e os policias já atirando", disse.

Durante o enterro, amigos de José Messias levaram tacos de sinuca e uma faixa em protesto contra o erro da Polícia Militar do Ceará. "Não confundam meu taco de sinuca com armas de fogo", dizia uma faixa.

Fonte: G1 CE


 
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