Ciro não subirá no palanque de Haddad, diz presidente do PDT

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O PDT anunciou ontem apoio crítico ao petista Fernando Haddad no segundo turno da campanha presidencial. Ainda ressentido, e visivelmente magoado, o presidente do PDT, Carlos Lupi, declarou, após reunião da legenda, que a posição é mais contra Jair Bolsonaro (PSL) do que a favor do petista.

"Somos muito mais um voto contra ele (Bolsonaro), contra o risco que ele representa à democracia, aos direitos humanos, ao respeito às liberdades individuais, muito mais contra essa quase certeza dos riscos que ele (Bolsonaro) representa do que um apoio ao Haddad. Mas não vamos nos omitir (no segundo turno)", disse.

Apesar do apoio, ninguém da direção do PDT irá participar da campanha de Fernando Haddad no segundo turno, mesmo com acenos do ex-prefeito.

Segundo Lupi, Ciro não irá colaborar ou mesmo subir no palanque. Com o fim do segundo turno, Lupi antecipou que vai lançar a candidatura de Ciro Gomes para 2022.

Apenas o ex-ministro concedeu entrevista coletiva na saída da reunião. Terceiro colocado na campanha presidencial, Ciro Gomes (PDT) não deu entrevista, apesar da insistência de jornalistas. "Abaixo o fascismo. Pela democracia. Abaixo a ditadura, nunca mais de volta", disse o cearense.

Para justificar o posicionamento, Lupi evocou "a memória" do PDT em relação ao golpe militar de 1964. "Hoje o tipo de golpe é mais sofisticado, é um golpe legitimado pelo voto popular, o que torna ainda maiores os riscos à democracia brasileira. Nós já sofremos 1964, somos filhos e netos dos que sofreram pela ditadura, somos o partido dos cassados, dos exilados, dos perseguidos e dos mortos. Não esquecemos esta memória. Em nome dessa memória que queremos alertar o brasileiro sobre essa personalidade que engana o povo".

O presidente do PDT fez questão de deixar claro, no entanto, que usar o termo de "apoio crítico" é uma referência aos ataques que o PT fez à candidatura de Ciro Gomes, durante o processo eleitoral. "É um apoio com as críticas que temos em relação ao PT, aos golpes que eles nos desferiram durante o processo eleitoral, pressões para retiradas de candidaturas. Isso é nossa crítica", disse.

A declaração de Lupi é uma referência à manobra, orquestrada com aval do ex-presidente Lula, que atrapalhou as negociações de apoio do PSB à candidatura de Ciro, ainda durante o primeiro turno. O caso foi encarado como uma rasteira do PT no partido.

O presidente do PDT no Ceará, o deputado federal reeleito André Figueiredo, adiantou ainda que a legenda fará oposição a Bolsonaro ou a Haddad em 2019. Desde 2003, o partido é base do PT no Palácio do Planalto. "O que o PT fez com o PDT não se faz. O PT não nos representa, por isso que temos um projeto de ser oposição não importa quem seja o próximo presidente", disse o líder do PDT na Câmara, à Folha de S. Paulo.

APOIOS

Além de PDT, a candidatura de Fernando Haddad recebeu apoio no segundo turno do Psol, PPL e PSB. O petista afirmou ontem que recebeu cartas de apoio de setores do PSDB. Ao longo do dia de ontem, PSD, DEM e PR decidiram por liberar seus filiados a apoiarem quem quisessem no segundo turno.

O Povo Online com Agências