Parceria entre a Pefoce e a Secretaria de Saúde zera a fila de espera por córneas no Ceará


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 A parceria entre as Secretarias de Saúde (Sesa) e Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Ceará, por meio da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) e Banco de Olhos do Ceará (BOC), firmada em 2016 possibilitou que mais de 2.500 captações de córneas fossem realizadas. Deste total, a Pefoce – que se tornou o principal alimentador do Banco de Olhos do Estado – contribuiu com 2.490 captações (de 2016 até outubro deste ano), zerando a fila de espera por córneas em todo o Ceará e exportando para outros estados do Brasil.

A Perícia Forense compreende que mesmo em meio à dor da despedida de um membro da família, existe a possibilidade de se fazer um gesto de amor e solidariedade ao próximo por meio da doação de córneas. O gesto devolve a visão e proporciona uma nova vida para muitos que não tinham chances de voltar a ver por outros meios.

No primeiro ano, em sua implantação na sede da Pefoce, no segundo semestre do 2016, o Banco de Olhos realizou a captação de 491 córneas. No ano seguinte, em 2017, foram 1.075 doações e, neste ano, até o mês de outubro foram 863 captações realizadas na sede da Pefoce, sendo 833 procedimentos realizados em Fortaleza e 30 no Núcleo da Pefoce no Cariri, situado em Juazeiro do Norte, que teve o início do trabalho do Banco do Olhos em fevereiro deste ano.

Com a fila de transplantes de córneas zerada no Estado, é possível o envio dos tecidos para outras regiões do País. Entre 2016 e 2018, o Ceará enviou córneas para outros 17 estados brasileiros.

Entre janeiro e outubro deste ano, pacientes de 12 estados já receberam córneas captadas no Ceará. Os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Mato Grosso e Maranhão foram os que mais receberam córneas captadas no Ceará. Seguidos por Alagoas, Acre, Bahia, Rondônia, Sergipe, Piauí e Tocantins.

Captação

As famílias de vítimas de mortes violentas, aqui englobam os crimes violentos letais intencionais (CVLI), suicídios e acidentes em geral, comparecem à Pefoce e recebem o primeiro atendimento na sala de acolhimento, pertencente à Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), onde a questão legal da identificação da vítima é encaminhada. Após cumprida a etapa burocrática, é feita uma busca ativa por possíveis doadores, em uma sala do banco de olhos. Os familiares são atendidos por uma equipe composta de enfermeiros, auxiliares de enfermagem e assistentes sociais.

O doador deve ser identificado, tem que ter entre 2 e 65 anos, a causa da morte tem que ser conhecida e a morte deve ter acontecido há menos de 12 horas. Dos corpos que são levados à Perícia Forense, 30% têm esse perfil para doação. De todos os corpos com perfil para doação, 70% das famílias que são entrevistadas concordam que a captação seja realizada.

O procedimento só é possível ser realizado na Pefoce devido à estrutura da Comel, que possui câmara fria que mantêm o corpo da pessoa em um estado de conservação exigido para que o procedimento aconteça, obedecendo todos os parâmetros necessários. Por se tratar de um tecido, a córnea no corpo humano, em condição adequada de refrigeração, pode ser retirada até 12 horas depois da parada do coração. Após a captação, o tecido vai para o banco de olhos, onde é preservado e, em seguida, disponibilizado para transplante.

Interiorização do Banco de Olhos na Pefoce

De acordo com o Perito Geral da Pefoce, Ricardo Macêdo, já existe projeto em andamento para a expansão dos bancos de olhos para os núcleos da Pefoce em Sobral, Russas, Iguatu, Quixeramobim e Canindé. O Banco de Olhos passou a funcionar na sede em Juazeiro do Norte, desde fevereiro deste ano e já captou 30 córneas. “O povo cearense é um povo solidário e esse é o principal motivo de termos êxito aqui. Doar é um gesto de amor. Na Pefoce, nós temos os instrumentos que conseguem captar esse amor para repassar a quem precisa”, ressalta o gestor.

Governo do Estado do Ceará