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HRC Alerta - Rápido atendimento ao paciente vítima do AVC pode diminuir sequelas

Hospital Regional do Cariri – Foto: Assessoria de Imprensa

A Unidade de AVC Agudo do Hospital Regional do Cariri foi criada há exatos seis anos, descentralizando o atendimento, antes feito apenas na capital, Fortaleza. O atendimento na unidade é intenso, a cada 24h, três novos pacientes dão entrada no hospital, mas o tempo de chegada ainda está muito acima do ideal, que é de quatro horas e meia, como explica o coordenador do setor, o Neurologista Gustavo Vieira Rafael. “Pelo histórico hospitalar, percebemos que o tempo médio de chegada dos pacientes está sendo de 10h, o que impede que esses pacientes possam fazer uso do trombolítico, medicação que além de diminuir as chances de um óbito, ajuda na reabilitação precoce. Muitas vezes a demora está relacionado ao diagnóstico da doença”, afirmou.

José Sebastião da Silva, 67 anos, deu entrada no Hospital Regional do Cariri no dia 29 de março, com o lado esquerdo do corpo fraco, boca torta e fala embolada. Ele foi acometido por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) Agudo. – Foto: HRC

Foi o que aconteceu com o ambulante José Sebastião. Ele só chegou no hospital quase 24h após o início dos sintomas. “Eu estava retornando para casa após fazer umas compras quando senti que um lado do meu corpo ficou muito pesado. Senti dor de cabeça, um mal estar, mas achava que era apenas cansaço, por conta do sol. Minha filha insistiu para eu ir no médico, mas só aceitei vir para o hospital no outro dia. Perdi muito tempo por teimosia. Graças a Deus que ao chegar aqui no Regional fui rapidamente atendido. Todos são muito atenciosos. Agora rezo para me recuperar e se Deus quiser, voltar as minhas atividades.”

Esse tipo de caso é mais comum do que deveria. Dos 235 pacientes atendidos na Unidade de AVC de janeiro a março deste ano, apenas 10% fizeram uso do trombolítico.

O aposentado José Maurivam, de Santana do Cariri, há cerca de 66 km de Juazeiro do Norte, onde está localizado o Hospital, acordou de madrugada e percebeu que algo estava errado. Mas, só pediu ajuda aos familiares horas após o início dos sintomas. Ao chegar no hospital municipal, de imediato foi encaminhado para o HRC. Mesmo assim, não conseguiu chegar dentro da janela.

“Eu sabia que algo estava errado. Sou hipertenso, já tinha sofrido um infarto, mas acabei guardando a doença por achar que era só um mal estar. Assim que cheguei aqui recebi todo o atendimento necessário, mas a minha teimosia fez com que eu perdesse tempo. Me considero um homem de sorte, porque estou aqui contanto essa história, mas poderia ter sido diferente só por conta da minha teimosia”.

O HRC, do Governo do Estado do Ceará, gerido pelo Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar recebe pacientes de 45 municípios da macrorregião do Cariri, que representa um universo de 1,6 milhão de habitantes. Por ano o HRC atende cerca de 1000 pessoas vítimas de AVC agudo. Um crescimento de quase 40% no número de atendimento, desde a implantação do setor em 2013. Os homens representam 55% dos casos, com idade média de 70 anos. Mas o tempo de chegada na unidade ainda é um desafio.

“Se você perceber que um familiar se sentiu mal, lembre-se da palavra SAMU. S de sorriso, peça para que a pessoa sorria, se a boca entortar é um sintoma. A de abraço, peça para que a pessoa levante os dois braços, se ela tiver dificuldade em um dos lados, esse também é um sintoma. M de música, peça para a pessoa falar, caso a fala fique embolada, é sintoma de AVC e por último U de urgência, acione o SAMU. O tempo é vida”, finalizou Dr Gustavo Vieira.

Cariri

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